As Mulheres Supernova são mulheres portuguesas que desenvolvem atividade nas mais distintas áreas científicas, desde as Ciências Exatas às Ciências Sociais e Humanas. Catarina Coelho é licenciada em Bioquímica pela Faculdade de Ciências e Mestre em Engenharia Biomédica pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Aplicada e curiosa, seguiu Ciências e Tecnologias no Ensino Secundário. Nunca gostou muito de história e as línguas não eram simplesmente o seu forte. De momento, encontra-se a frequentar o Programa Doutoral em Engenharia Biomédica na FEUP, enquanto desenvolve a sua tese em colaboração com a indústria.

“O meu doutoramento é uma parceria entre uma empresa e um instituto de investigação da Universidade do Porto, o i3s.”

Catarina já trabalhava na empresa antes de começar o doutoramento. Quando surgiu a oportunidade de adaptar o que já fazia ao contexto académico, não hesitou. Se tudo correr bem, o resultado será um produto no mercado, o que considera ser muito gratificante. “Nos doutoramentos académicos, nem sempre acontece, porque não há um foco tão grande em transpor a investigação para fora da faculdade. O trabalho é feito mas, com grande frequência, acaba por ficar «dentro da gaveta»”.

A licenciatura decorreu na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, que considera ser “o melhor sítio para tirar uma licenciatura em Bioquímica em Portugal”. Não tem quaisquer dúvidas, embora confesse que “ainda é uma faculdade muito fechada em si mesma”, provavelmente por ser “muito orientada para a investigação”.

“Enquanto estudantes, não nos transmitiam a realidade de um bioquímico no mundo laboral. Não contactamos com empresas, não visitamos lugares fora da faculdade.”

Durante o mestrado, já noutra faculdade, o cenário mudou. Os professores tinham contactos na indústria e Catarina frequentou diversos seminários com profissionais da área. “Sinto que a FCUP me deu as bases científicas perfeitas e a FEUP me fez crescer para o mercado de trabalho.”

Enquanto mulher na ciência, aprendeu com o trabalho intenso e com os poucos recursos que não vale a pena dramatizar. Conta que, no mestrado, se confrontou com o maior obstáculo que enfrentou até hoje no seu percurso académico. O período da elaboração da tese foi, explica, “uma altura de imenso trabalho” e numa área distinta da sua formação de base. Passou por “muitos momentos de frustração e de nervos”, desafiou-se, a si e aos outros, e percebeu que o importante é o esforço, sem perder a cabeça.

“Um dia de cada vez, porque mesmo que falhemos, a Terra continua a girar.”

Admite, contudo, que gostava de ter sido avisada “que o grau de dificuldade é mesmo muito maior e não tem nada a ver com o que estamos habituados no secundário” e aconselhada a “perder a vergonha” e esclarecer todas as suas dúvidas com professores e colegas. “Deixar andar não é solução.”

Atualmente, está concentrada em terminar o doutoramento e tenciona continuar a fazer investigação com aplicação prática no meio empresarial. Acredita que “a Ciência é a constante busca pela solução de um problema” e que o objetivo deve ser sempre “a melhoria das condições de vida”.

Embora considere que a cultura científica esteja a crescer em Portugal, lamenta que esteja “muito aquém do que deveria estar, principalmente se compararmos com outros países da Europa”. Aponta a insuficiência de incentivo à ciência no interior das escolas básicas e secundárias e a necessidade de se “aumentar as iniciativas de levar a Ciência às escolas e as escolas às Universidades.” Anseia por mais “museus científicos, por exemplo.”

Prescott, Harley, Klein’s Microbiology.

Nos seus tempos livres, quando deixa a bata de laboratório de lado, gosta de escrever no seu blogue, A Girl in Mint Green. Potterhead assumida, partilha o amor pelo Harry Potter com o amor pela microbiologia. “Acho fascinante o mundo dos pequenos organismos, como bactérias e fungos.” Um dos seus livros preferidos é, por isso, “uma espécie de bíblia da microbiologia”, o “Prescott, Harley and Klein’s Microbiology”, de Joanne Willey.

Sobre as Mulheres Supernova

Esta série sobre mulheres na ciência não tem periodicidade definida. Se for mulher e estiver a desenvolver (ou se já desenvolveu) actividade científica, pode participar ao manifestar interesse através de um e-mail.

Todas as Mulheres Supernova serão ilustradas pela Daniela Pineu Oliveira, do projecto Palavra-Padrão, e pelo Artur Tavares, do projecto AfterJoseph.

Catarina Coelho1

 

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3 thoughts on “Mulheres Supernova | Catarina Coelho

  1. Querida Catarina, muitos parabéns pela visão sincera de um aluno que para nós professores é sempre bem vinda! Mas não poderia deixar o pensamento de Einstein: O único lugar onde sucesso vem antes do trabalho é no dicionário… por isso, força e para a frente é o caminho para dar uma contribuição na investigação em Portugal …

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