Failure: Why Science Is So Successful, sequela de Ignorance: How It Drives Science, de Stuart Firestein, é um conjunto de pequenos ensaios sobre a importância de falhar para o progresso na Ciência.

O discurso da obra não deve ser compreendido de forma sequencial, sendo passível de ler os capítulos separadamente. O autor constrói a sua tese à medida que reflete sobre como o Insucesso é constante no processo não só de fazer Ciência, mas de financiar, divulgar e ensinar.

A linguagem é coloquial e, por isso, acessível e destaca-se, sobretudo, a forma utilizada por Firestein para expor as suas crenças acerca da ciência e do que a move, tornando-a em última análise bem-sucedida.

A leitura torna-se particularmente interessante quando são exploradas as suas experiências e as dos seus colegas, assim como as histórias de insucesso de alguns cientistas famosos (como Newton, Edison, Einstein e Darwin) para provar que a Ciência raramente está completamente certa ou completamente errada e como falhar pode conduzir a melhores resultados.

Saliento a importância de discutir a educação científica e a ideia, referida pela primeira vez no capítulo Fail Better – Advice from Samuel Beckett, de que aprender Ciência não deve ser uma maratona de memorização.

Em Teaching Failure, Stuart Firestein reforça a sua crítica ao que chama de sistema bulímico da educação, em que os estudantes são incentivados a decorar e, posteriormente, a despejar a matéria em exames, não fixando realmente qualquer conhecimento útil para o seu futuro enquanto cidadãos e profissionais.

É importante ainda referir o capítulo Negative Results – How To Love Your Data When It’s Wrong, que aborda a crença errada de que a publicação de um artigo científico representa o fim de determinado estudo, percecionando-se como consequência os resultados como absolutamente corretos, quando na verdade estão, sempre, em constante revisão.

Stuart Firestein defende que a publicação de resultados é apenas uma contribuição não só para a investigação como para a discussão científica, razão pela qual os resultados devem ser apresentados mesmo quando negativos.

Por outro lado, o apontamento sobre as replicações de estudo, que podem levantar suspeitas de fraude caso os dados não estejam corretos ou não se consigam replicá-los, é fundamental na medida em que existem casos curiosos em que a replicação não foi bem-sucedida apenas porque um cientista não considerou necessário reportar determinado passo quanto mais entendê-lo como crucial para o sucesso da sua própria investigação.

Um Insucesso pode ser, por isso, apenas produto de circunstâncias distintas, podendo tornar-se um Sucesso noutra época, com novas tecnologias, técnicas e perspetivas, até aí não disponíveis.

Stuart Firestein pretende tornar a Ciência e a discussão acessível ao público não-especializado, descontruindo ideias pré-concebidas que nos fazem olhar para a ciência e para os cientistas como um bicho de sete cabeças. Para além disso, instiga a comunidade científica a refletir acerca da eficácia do método científico, da importância de falhar, de assumir os erros e de alcançar o sucesso a partir de correções (isto é, através do método de falhar melhor), assim como do próprio estado não só do financiamento como da educação.

Recomendo o questionário How much do you know about failure?, da Oxford University Press’s. É possível aceder a uma amostra grátis de Failure: Why Science Is So Successful no Google PlayNa Fnac, a obra está à venda por 12,46€.

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